G5 vivencia experiências significativas de integração

“Não foi fácil deixar o colega controlar o meu pincel”, disse Anita Delabary Gomes para a professora Ana Laura Fleck. A fala veio depois da atividade que propôs ao Grupo 5 fazer pinturas a quatro mãos com alguém da dupla de olhos vendados. Assim, por meio de desenhos, mandalas, dados dos sentimentos e bastão da fala, o G5 tem vivenciado experiências significativas de integração. Sugerido pelo grupo, desenvolvido pela professora Ana Laura e apresentado às famílias durante reunião realizada em maio, o projeto teve com um dos propósitos incentivar a união da turma e mais trocas entre as crianças.

As famílias gostaram da ideia e numa mostra de sintonia com a Escola Amigos do Verde esboçaram o mapa mental do projeto. No dia seguinte, foi a vez das crianças organizarem seus pensamentos em relação à proposta. Entre as justificativas para o projeto encontradas pelos alunos estão “Pra gente ser mais amigos, brincar mais e aprender mais com o outro colega”.

Vivências que incentivam a confiança, o respeito, a amorosidade e o conhecer o outro, fazem parte da rotina do grupo. Atenta, a aluna Cecília Esteves Schunemann explica: “Estamos fazendo essas brincadeiras pra gente ficar mais feliz e porque estamos falando de sentimentos e união”.

5ª Mostra Científica Sustentável

Para marcar a Semana da Ecologia, que aconteceu entre os dias 29 de maio e 6 de junho, a Escola Amigos do Verde realizou a 5ª Mostra Científica Sustentável do Ensino Fundamental. Todos os trabalhos da Mostra foram desenvolvidos pela disciplina de Agroecologia, ministrada pelo professor Mário Machado Fabretti. “A Agroecologia busca conscientizar o ser humano de que ele é parte da natureza, através do conhecimento da fauna e flora, bem como dos aspectos físicos, químicos, geológicos e biológicos”, explica o professor.

Adepta da educação integral desde sua fundação, a Amigos do Verde foi a primeira escola de Porto Alegre a adotar a Agroecologia como disciplina da Educação Infantil e do Ensino Fundamental. Por meio de hortas educativas, com hortaliças diversas plantadas e cuidadas diariamente pelas crianças, da compostagem e do cuidado com os animais, sob a orientação do professor, a Agroecologia faz parte do cotidiano escolar. As crianças participam também da semeadura, do transplante e da colheita de plantas, do preparo de alimentos, além de aprender sobre as especificidades dos espaços permaculturais da Escola – cisterna, telhado vivo, horta, composteira e bioconstrução. “Na Amigos do Verde, simplesmente regando uma planta, os alunos aprendem que as plantas se nutrem pela raiz. É outra maneira de se trabalhar a Educação”, diz Mário. As práticas são de acordo com as faixas etárias, mas contemplam o mesmo assunto através de vivências dentro e fora da Escola.

Experimentos desenvolvidos pelo Ensino Fundamental:

1º ano: Diferentes maneiras de cultivar pequenos jardins/hortas de PANC’S (plantas alimentícias não convencionais). Cultivo de plantas carnívoras para controle de mosquitos.
2º ano: Horta em patamar/suspensa. O objetivo é a construção de pequenas hortas, de fácil manejo, para espaços reduzidos, incentivando a produção de ervas, temperos e flores.
3º ano: Compostagem. Os alunos distribuem composteiras móveis pelos diferentes grupos da escola a fim de compartilhar o experimento e estudos sobre agentes decompositores.
4º ano: Sistema de irrigação automatizada através da coleta de água da chuva e do ar condicionado para regar as hortas.
5º ano: Energias sustentáveis. A invenção de um liquidificador a manivela para reduzir o uso de energia elétrica.

Conselho de classe participativo é reflexo da educação integral da Escola

A educação integral é uma das principais características da Escola Amigos do Verde. Uma das iniciativas que marca essa qualidade é o conselho de classe participativo, quando alunos/as e professores/as se reúnem para compartilhar sobre os processos de aprendizagem, rotina, responsabilidades e, também, sobre a parte física da Escola. Criado em 2007, por iniciativa das crianças, o conselho participativo acontece atualmente nos meses de maio e outubro.

De lá para cá, a reunião que envolve a direção, a coordenação, a equipe de professores e os/as estudantes se constituiu como um importante momento de troca e crescimento coletivo. Para a coordenadora pedagógica Taís Brasil Russo, “é mais um espaço para fortalecer o diálogo e estimular o posicionamento e a capacidade de argumentação das crianças”.

As turmas organizam os pareceres de modos diferentes, mas todas elas respondem perguntas como “o que aprendemos?; o que queremos aprender?; e o que podemos melhorar?”. “É legal porque a gente pode dar sugestões sobre a Escola”, comemoram os alunos Isabela Oliveira, Giovanna Otten e Frederico Viecili, todos do 2º ano. Tais completa: “Através do conselho as crianças ajudam a construir a Escola em que estudam”, acredita.

Saída de Campo é um marco para os alunos do Ensino Fundamental

Em abril, o Ensino Fundamental realizou a Saída de Campo para Minas do Camaquã, em Caçapava do Sul. Além de envolver conteúdos que fazem parte do currículo de cada grupo, a viagem é um período importante de trocas e vivências distante das famílias. “É um momento enriquecedor, porque além de os/as alunos/as naturalmente relacionarem os aprendizados em sala de aula com as vivências no local, eles também são desafiados/as a desenvolver e exercitar a autonomia”, explica a professora do 2º ano, Tamires Roos.

A autonomia é exercitada ainda em casa, quando as famílias recebem a orientação de incluir as crianças na organização da mochila e do lanche da viagem. No hotel, afazeres como organizar suas camas e separar roupas e objetos de higiene também exercitam o crescimento integral. “O fato de dormir fora de casa é outro desafio. Mas a insegurança e até mesmo o medo são superados coletivamente, com histórias, brincadeiras e canções”, acrescenta a professora, chamada carinhosamente de Tatá.

Geografia, Ciências e História estão entre os componentes curriculares trabalhados pela Saída de Campo que, esse ano, teve a geologia e o relevo como pontos principais a serem observados. Para a coordenadora pedagógica Taís Brasil Russo, a viagem de dois dias “é um momento de vivenciar as pesquisas realizadas durante as aulas e complementá-las”.

A escalada em uma parede com equipamentos de segurança, a trilha noturna até o observatório para contemplar as constelações e a visitação às minas a céu aberto e subterrânea, foram as atividades eleitas como mais legais pelos/as alunos/as. Mathias de Matos Macchi, do 4º ano, ao falar sobre a visitação à mina subterrânea, explicou “encontramos cobre, enxofre e mármore e a temperatura é mais fria porque fica úmido lá dentro”, contou.

A Saída de Campo, realizada uma vez por ano em lugares diferentes, é um marco para alunos/as, famílias e equipe pedagógica.