Escola Amigos do Verde colhe frutos no bairro Petrópolis

A nova unidade é voltada para a educação infantil, atendendo crianças a partir dos quatro meses aos seis anos

A semeadura deu certo e no início de 2018, a Escola Amigos do Verde vai inaugurar uma nova unidade em Porto Alegre. Localizada na avenida Cel. Lucas de Oliveira, 2.609, no bairro Petrópolis, a sede está totalmente integrada à proposta pedagógica que caracteriza a instituição desde a sua criação, em 1984: uma educação integral, aliada a questões ecológicas, alimentação naturalista e valores éticos. O espaço, voltado para a Educação Infantil, tem como diferencial o atendimento de crianças a partir de quatro meses. A diretora é Luna Behrends e a coordenadora pedagógica, Laura Méliga.

Assim como a unidade do bairro Higienópolis, a sede do Petrópolis possui um bosque de árvores frutíferas e plantas nativas, em 265 metros quadrados de área verde. Para dar ainda mais identidade ao espaço, a Escola fechou parceria com o escritório de arquitetura Maena Design Conecta, que tem entre as sócias a arquiteta Michele Raimann, mãe de aluna do grupo 1.

Desenvolvido a muitas mãos, o projeto busca contemplar uma das principais características da Amigos do Verde, que é o uso do espaço externo de maneira flexível e coletiva. “Nossa participação como escritório de arquitetura é construir espaços que levem adiante as auras livre, verde e orgânica da Escola”, disse Michele. Por isso, além das árvores frutíferas, a nova unidade terá horta, composteira e laguinho. O laranja e o verde, cores institucionais da Amigos do Verde, comandam a paleta de cores do projeto arquitetônico e para acentuar, ainda mais, a proposta ligada a ecologia, os tons se desdobram em matizes encontradas da natureza.

Informações sobre matrículas através do e-mail petropolis@amigosdoverde.com. br ou do telefone 3337 7630.

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“Roda-ação”: mais um ponto para a educação integral da Amigos do Verde

A ética nas relações humanas e o espírito democrático são características presentes no dia a dia da Amigos do Verde. A “Roda-ção”, assembleia entre alunos do Ensino Fundamental e Coordenação, veio para acrescentar às ações voltadas para a educação integral oferecida pela Escola. Iniciativa inovadora, realizada em instituições referências, como a paulistana Escola da Vila, o encontro pretende, uma vez por mês, abrir espaço para a discussão de questões relacionadas à Escola. “Gostei porque a gente pode se expressar e falar o que quer melhorar”, falou Arthur Fernandes Litzke, do 4º ano.

Baseada nos princípios da democracia, a “Roda-ação” tem sua pauta elaborada ao longo do mês em sala de aula e no início de cada edição o grupo seleciona as prioridades. Para que todos tenham a possibilidade de experimentar a tarefa de representação, os representantes de cada turma, assim como os da Coordenação, são escolhidos de maneira rotativa.

Com a intenção de alcançar um dos principais objetivos das assembleias em espaços educativos, que é o de construir valores fundamentados no respeito e no diálogo, a primeira edição, em agosto, foi focada em estabelecer o código de comunicação do evento. “São sinais que indicam quem está de acordo e quem não está, inscrições de fala e assunto já debatido”, explica a diretora Luna Carneiro Behrends.

Vem ser madrinha e padrinho solidário na Escola Amigos do Verde

 Já pensou em colaborar com a formação escolar de crianças de baixa renda? Através do “Programa Apadrinhamento Solidário” da Escola Amigos do Verde, você pode se tornar padrinho ou madrinha contribuindo com os estudos de alunos carentes financeiramente das redes estadual ou municipal de Porto Alegre. A terceira edição do programa está com três vagas para o Ensino Fundamental em 2018.

Além de cooperar com a educação dessas crianças, o Apadrinhamento Solidário faz parte das práticas integrativas da Escola. Conforme a diretora da Amigos do Verde, Luna Carneiro Behrends, “o programa possibilita às crianças participantes a oportunidade de fazer parte de uma Escola transformadora que busca formar alunos reflexivos e autônomos para enfrentar os desafios do mundo, através de um currículo transdisciplinar e da interação diária com o meio ambiente”.

A família da aluna Manoela Santos Cesar, do 5º ano do Ensino Fundamental, comemora as transformações ocorridas em dois anos de estudos na Escola Amigos do Verde. “A Manoela entrou em 2016 e essa oportunidade melhorou o desenvolvimento dela e a alimentação. A Amigos do Verde é uma Escola maravilhosa!”, afirma a mãe de Manoela, Thaís Pereira Santos.

Para ser um padrinho ou madrinha é fácil. Basta entrar em contato com a Secretaria da Escola e mostrar interesse em participar do programa. As crianças, que são selecionadas pela Amigos do Verde mediante comprovação de baixa renda, podem ter mais de um padrinho ou madrinha.

Feirão 2017 apresenta produção dos alunos

Vem aí o “Feirão 2017”! A fim de compartilhar com as famílias a prática da educação voltada para a sustentabilidade, a Escola Amigos do Verde promove, todos os anos, o Feirão de artesanato, jogos pedagógicos e culinária integral, tudo construído e preparado pelos alunos da Educação Infantil e Ensino Fundamental. A edição de 2017 está marcada para o dia 7 de outubro, das 10h30min às 14h. Com foco na vida saudável, a feira de integração e confraternização é voltada para as famílias e aberta à comunidade. Em caso de chuva, o evento vai ser transferido para o dia 21.

Este ano, o “Brechó de Uniformes” vai somar às ações sustentáveis do evento, fazendo circular peças que ainda podem ser aproveitados por outros alunos. Famílias interessadas em participar podem trocar os uniformes em bom estado por fichas durante a semana que antecede o Feirão, na quarta e na sexta, das 17h às 18h, e na quinta, das 10h às 11h, sempre no Sofá das Flores. No sábado, basta trocar as fichas por outras peças. As peças entregues ao Brechó que não forem selecionadas por outras famílias ficarão à disposição para a próxima edição!

Setembro Verde

Desde o início do mês, o movimento Setembro Verde tem promovido momentos únicos na Escola Amigos do Verde, como as culinárias compartilhadas com as famílias e os almoços abertos para mães e pais. Na última semana do movimento, outra importante ação vai acontecer, no Parque Moinhos de Vento (Parcão), no dia 26, das 9h às 12h. Entre as atividades, será ministrada a Oficina de Horticultura em Vasos pelos alunos do Ensino Fundamental, em parceria com o professor de Agroecologia Mário Fabretti e professores de turma. Aberta ao público e gratuita, a oficina, no gramado central próximo ao lago, pretende estimular o cultivo de hortaliças e, assim, aumentar o consumo desses alimentos. Conforme o Manifesto Setembro Verde, apenas um a cada três brasileiros consome frutas e hortaliças em cinco dias da semana.

Ainda com a proposta de incentivar o plantio e a alimentação saudável, alunos e professores vão distribuir sementes da Isla, empresa brasileira de sementes e uma das idealizadoras do Setembro Verde. A ação no parque também chama atenção para a importância da atividade física e da espiritualidade através da prática de yoga, com o professor Fabrício Labre.

O Setembro Verde é um movimento nacional que pretende incentivar e disseminar o hábito de se manter uma alimentação saudável. Para a diretora Luna Behrends, está totalmente integrado à proposta da Amigos do Verde, que desde a sua criação, em 1984, tem a alimentação naturalista e a consciência ambiental entre os diferenciais da Escola.

Biblioteca Ilê Ará, no Morro da Cruz, recebe práticas integrativas

A Biblioteca Comunitária Ilê Ará, localizada no Morro da Cruz, foi o lugar escolhido para a realização da prática integrativa do 1º semestre do Grupo 4 (G4) e dos 2º e 4º anos do Ensino Fundamental. Compartilhar conhecimentos, incitar a reflexão e o pensamento crítico dos alunos e afirmar a importância do respeito as diferenças são os propósitos da atividade realizada pela Escola Amigos do Verde há alguns anos. “As crianças estavam bem à vontade no espaço. Como professora, acredito que isso reforça o trabalho da prática integrativa, que é o respeito à diversidade”, afirmou a professora do G4, Jordana Braga.

Para os alunos da Jordana, a aula-passeio esteve relacionada aos projetos “Folclore” e “Construções”. O folclore foi trabalhado através da contação de uma lenda africana pelo griô Luiz Augusto Alencar dos Santos, responsável pela Biblioteca e professor e especialista em história da África, e das apresentações de hip-hop. A ausência de prédios e altura do morro instigaram reflexões sobre o projeto “Construções”.

Além da contextualização do aprendizado de sala de aula, a ida para a Ilê Ará – expressão da língua africana iorubá que significa “casa do povo” – agregou ainda mais conhecimento sobre africanidade para os alunos do Ensino Fundamental. “Foi um passeio muito rico. Além do projeto de estudos sobre a África, aprendemos que a africanidade não está relacionada apenas com a cor da pele e sim com o envolvimento das pessoas na cultura e no movimento negro”, contou a professora do 2º ano, Tamires Roos.

G5 vivencia experiências significativas de integração

“Não foi fácil deixar o colega controlar o meu pincel”, disse Anita Delabary Gomes para a professora Ana Laura Fleck. A fala veio depois da atividade que propôs ao Grupo 5 fazer pinturas a quatro mãos com alguém da dupla de olhos vendados. Assim, por meio de desenhos, mandalas, dados dos sentimentos e bastão da fala, o G5 tem vivenciado experiências significativas de integração. Sugerido pelo grupo, desenvolvido pela professora Ana Laura e apresentado às famílias durante reunião realizada em maio, o projeto teve com um dos propósitos incentivar a união da turma e mais trocas entre as crianças.

As famílias gostaram da ideia e numa mostra de sintonia com a Escola Amigos do Verde esboçaram o mapa mental do projeto. No dia seguinte, foi a vez das crianças organizarem seus pensamentos em relação à proposta. Entre as justificativas para o projeto encontradas pelos alunos estão “Pra gente ser mais amigos, brincar mais e aprender mais com o outro colega”.

Vivências que incentivam a confiança, o respeito, a amorosidade e o conhecer o outro, fazem parte da rotina do grupo. Atenta, a aluna Cecília Esteves Schunemann explica: “Estamos fazendo essas brincadeiras pra gente ficar mais feliz e porque estamos falando de sentimentos e união”.

5ª Mostra Científica Sustentável

Para marcar a Semana da Ecologia, que aconteceu entre os dias 29 de maio e 6 de junho, a Escola Amigos do Verde realizou a 5ª Mostra Científica Sustentável do Ensino Fundamental. Todos os trabalhos da Mostra foram desenvolvidos pela disciplina de Agroecologia, ministrada pelo professor Mário Machado Fabretti. “A Agroecologia busca conscientizar o ser humano de que ele é parte da natureza, através do conhecimento da fauna e flora, bem como dos aspectos físicos, químicos, geológicos e biológicos”, explica o professor.

Adepta da educação integral desde sua fundação, a Amigos do Verde foi a primeira escola de Porto Alegre a adotar a Agroecologia como disciplina da Educação Infantil e do Ensino Fundamental. Por meio de hortas educativas, com hortaliças diversas plantadas e cuidadas diariamente pelas crianças, da compostagem e do cuidado com os animais, sob a orientação do professor, a Agroecologia faz parte do cotidiano escolar. As crianças participam também da semeadura, do transplante e da colheita de plantas, do preparo de alimentos, além de aprender sobre as especificidades dos espaços permaculturais da Escola – cisterna, telhado vivo, horta, composteira e bioconstrução. “Na Amigos do Verde, simplesmente regando uma planta, os alunos aprendem que as plantas se nutrem pela raiz. É outra maneira de se trabalhar a Educação”, diz Mário. As práticas são de acordo com as faixas etárias, mas contemplam o mesmo assunto através de vivências dentro e fora da Escola.

Experimentos desenvolvidos pelo Ensino Fundamental:

1º ano: Diferentes maneiras de cultivar pequenos jardins/hortas de PANC’S (plantas alimentícias não convencionais). Cultivo de plantas carnívoras para controle de mosquitos.
2º ano: Horta em patamar/suspensa. O objetivo é a construção de pequenas hortas, de fácil manejo, para espaços reduzidos, incentivando a produção de ervas, temperos e flores.
3º ano: Compostagem. Os alunos distribuem composteiras móveis pelos diferentes grupos da escola a fim de compartilhar o experimento e estudos sobre agentes decompositores.
4º ano: Sistema de irrigação automatizada através da coleta de água da chuva e do ar condicionado para regar as hortas.
5º ano: Energias sustentáveis. A invenção de um liquidificador a manivela para reduzir o uso de energia elétrica.

Conselho de classe participativo é reflexo da educação integral da Escola

A educação integral é uma das principais características da Escola Amigos do Verde. Uma das iniciativas que marca essa qualidade é o conselho de classe participativo, quando alunos/as e professores/as se reúnem para compartilhar sobre os processos de aprendizagem, rotina, responsabilidades e, também, sobre a parte física da Escola. Criado em 2007, por iniciativa das crianças, o conselho participativo acontece atualmente nos meses de maio e outubro.

De lá para cá, a reunião que envolve a direção, a coordenação, a equipe de professores e os/as estudantes se constituiu como um importante momento de troca e crescimento coletivo. Para a coordenadora pedagógica Taís Brasil Russo, “é mais um espaço para fortalecer o diálogo e estimular o posicionamento e a capacidade de argumentação das crianças”.

As turmas organizam os pareceres de modos diferentes, mas todas elas respondem perguntas como “o que aprendemos?; o que queremos aprender?; e o que podemos melhorar?”. “É legal porque a gente pode dar sugestões sobre a Escola”, comemoram os alunos Isabela Oliveira, Giovanna Otten e Frederico Viecili, todos do 2º ano. Tais completa: “Através do conselho as crianças ajudam a construir a Escola em que estudam”, acredita.

Saída de Campo é um marco para os alunos do Ensino Fundamental

Em abril, o Ensino Fundamental realizou a Saída de Campo para Minas do Camaquã, em Caçapava do Sul. Além de envolver conteúdos que fazem parte do currículo de cada grupo, a viagem é um período importante de trocas e vivências distante das famílias. “É um momento enriquecedor, porque além de os/as alunos/as naturalmente relacionarem os aprendizados em sala de aula com as vivências no local, eles também são desafiados/as a desenvolver e exercitar a autonomia”, explica a professora do 2º ano, Tamires Roos.

A autonomia é exercitada ainda em casa, quando as famílias recebem a orientação de incluir as crianças na organização da mochila e do lanche da viagem. No hotel, afazeres como organizar suas camas e separar roupas e objetos de higiene também exercitam o crescimento integral. “O fato de dormir fora de casa é outro desafio. Mas a insegurança e até mesmo o medo são superados coletivamente, com histórias, brincadeiras e canções”, acrescenta a professora, chamada carinhosamente de Tatá.

Geografia, Ciências e História estão entre os componentes curriculares trabalhados pela Saída de Campo que, esse ano, teve a geologia e o relevo como pontos principais a serem observados. Para a coordenadora pedagógica Taís Brasil Russo, a viagem de dois dias “é um momento de vivenciar as pesquisas realizadas durante as aulas e complementá-las”.

A escalada em uma parede com equipamentos de segurança, a trilha noturna até o observatório para contemplar as constelações e a visitação às minas a céu aberto e subterrânea, foram as atividades eleitas como mais legais pelos/as alunos/as. Mathias de Matos Macchi, do 4º ano, ao falar sobre a visitação à mina subterrânea, explicou “encontramos cobre, enxofre e mármore e a temperatura é mais fria porque fica úmido lá dentro”, contou.

A Saída de Campo, realizada uma vez por ano em lugares diferentes, é um marco para alunos/as, famílias e equipe pedagógica.